Sabes o que realmente significa “natural” em cosmética?
Sabes o que realmente significa a palavra “natural” na indústria cosmética ou estarás a ser greenwashed? Será que “natural” é sempre bom e que “sintético” é sempre mau?
A verdade é que nem tudo é preto ou branco. Deixo-te algumas pistas para reflexão sobre este assunto, assim como estratégias para que possas usar apenas produtos cosméticos de elevada qualidade.
A origem dos ingredientes naturais
Muitas pessoas acreditam que produtos naturais são sempre bons porque todos os seus ingredientes são de origem vegetal. Este é o primeiro erro que convém desmistificar.
Os produtos ou ingredientes naturais podem ser:
de origem vegetal,
de origem mineral (normalmente não são opções sustentáveis porque não são substituíveis),
de origem animal,
provenientes do ecossistema marinho.
E todos eles, apesar de serem ingredientes “naturais”, têm quase sempre de ser manipulados e quimicamente transformados. E se este tema te aguça a curiosidade, deixo-te ainda a pista de que também há diferenças entre ingredientes naturais, derivados da natureza e idênticos.
Falta de regulamentação clara
Água de limpeza com indicação de 98% ingredientes de origem natural.
A falta de regulamentação clara e concreta é um problema que faz com que muitas marcas acabem por adotar práticas de greenwashing, alegando a percentagem de naturalidade de um produto cosmético. Isto porque, um produto formulado com mais de 95% de ingredientes “naturais” também pode conter na sua formulação, por exemplo, parabenos, fenoxietanol, ftalatos, lauryl sulfato de sódio, vaselina e parafina, assim como outros ingredientes da formulação sintética convencional.
Por isso, tem atenção! Quando encontrares nas prateleiras produtos que são 98% naturais, desconfia daqueles 2%...
Como podemos escolher um bom produto cosmético?
E agora? Vamos todos para a faculdade de farmácia estudar cosmetologia para sabermos exatamente que produtos convém utilizar? Vá, não é preciso tanto.
Deixo-te aqui algumas pistas para conseguires ser mais criterioso/a quanto aos produtos que usas:
1) Privilegia produtos cosméticos certificados
Alguns dos meus produtos da Mádara com certificação Ecocert.
Procura produtos com certificações Cosmos, Ecocert, Cosmebio, Soil Association, USDA, BDIH ou ICEA. Estas certificações atestam que os produtos são feitos com ingredientes biológicos, não são testados em animais, rejeitam ingredientes geneticamente modificados ou químicos potencialmente tóxicos, que os fabricantes respeitam as boas práticas de produção e regem-se por práticas sustentáveis.
2) Escolhe produtos biológicos
Outro erro frequente é confundirmos cosmética natural com cosmética biológica. Mas não é a mesma coisa. A propósito deste tema, a Cátia Curica da Organii escreveu um bom artigo que vale a pena ler.
3) Faz alguma pesquisa sobre os ingredientes
Isto dá mais trabalho, mas é sempre um exercício interessante. Costumo utilizar um website - The Truth About Cosmetics - para fazer a análise INCI e perceber melhor a origem dos ingredientes que constam nos rótulos dos produtos.
4) Faz os teus próprios cosméticos
Este é dos principais motivos pelos quais eu faço muitos dos meus produtos cosméticos em casa. Desde sabonetes, a champôs sólidos, amaciadores, emulsões, desodorizantes… garanto-te que é possível fazeres tudo aquilo que precisas de forma fácil e segura.
Ler mais: Porquê fazer sabão caseiro: 6 boas razões
5) Lembra-te de que menos é mais
Salvo casos excepcionais (em que uma determinada condição de pele exige cuidados específicos), a verdade é que não precisamos de uma infinidade de produtos. A indústria cosmética quer-nos vender o contrário. Considera, por exemplo, substituir o teu creme de corpo por uma boa mistura de óleos vegetais biológicos, ou substituir o teu gel de banho por um sabonete de azeite caseiro.
E se queres ser mais autónomo/a na produção dos teus próprios produtos de cosmética, não deixes de subscrever o blog e de acompanhar todos os novos conteúdos!